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Eleições 2026: Presidente do TSE diz que prorrogação até as 19h não mudou o resultado

Kassio Nunes Marques anunciou a reeleição de Lula e disse que a decisão de Zanin não alterou nada.

Por Redação Casos do Mundo ·

Eleições 2026: Presidente do TSE diz que prorrogação até as 19h não mudou o resultado
Ministro Kassio Nunes Marques em sessão plenária do TSE, em fevereiro de 2025 (arquivo). Foto: Alejandro Zambrana/Secom/TSE (domínio público), via Wikimedia Commons

Domingo (25) à noite, sede do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), em Brasília. O presidente da Corte, ministro Kassio Nunes Marques, anunciou a reeleição de Lula (PT) e fez questão de repetir uma frase: "Volto a dizer: não houve nenhuma alteração advinda da decisão judicial."

A decisão era a do ministro Cristiano Zanin, do STF, que estendeu a votação até as 19h. Pouco depois, por volta das 22h40, Flávio Bolsonaro (PL) disse que não reconhece o resultado e vai pedir a anulação. Então o TSE já respondeu a Flávio? Não exatamente. E a diferença importa.

O que o presidente do TSE disse

Na coletiva, Nunes Marques anunciou a vitória de Lula com 51,77% dos votos válidos e mais de 64 milhões de votos, com 99,9% das urnas apuradas, segundo a Agência Brasil.

Sobre a prorrogação, ele disse três coisas:

  • Que o TSE cumpriu a ordem do STF e que confia em todo o processo eleitoral.
  • Que a decisão, por ter saído depois das 17h, "gerou dificuldades no processo eleitoral". Segundo ele, nunca houve prorrogação de votação na história do TSE, e não havia norma que autorizasse uma.
  • Que o tribunal travou o recebimento dos boletins de urna até as 19h, para nenhum dado aparecer antes da hora, e depois retomou o fluxo com ajustes técnicos.

Ele também reclamou da "hiperjudicialização" da disputa. Foram 2.265 processos eleitorais em 2026.

Isso foi uma resposta ao pedido de anulação?

Não. A ordem dos fatos mostra por quê.

A CNN Brasil publicou a fala do ministro às 22h07, e a Agência Brasil, às 22h34. Flávio só falou por volta das 22h40. Ou seja, o presidente do TSE comentou a prorrogação antes de existir o anúncio de contestação.

Até a publicação deste texto, não encontramos registro de que o pedido de anulação tenha sido protocolado. Sem pedido, não há processo nem julgamento.

Por que a fala dele pesa mesmo assim

Pense na regra do jogo. O Código Eleitoral diz, no artigo 219, que nenhuma votação deve ser anulada "sem demonstração de prejuízo". Quem pede a anulação precisa mostrar que a prorrogação mudou o resultado.

E aí entra a conta. Pela totalização do TSE com 100% das urnas, Lula teve 64.256.232 votos e Flávio, 59.826.041. A diferença é de 4.430.191 votos. Para ter chance, a contestação teria de mostrar um efeito maior que isso.

A fala de Nunes Marques não é uma sentença. Mas é o chefe do órgão que organizou e contou a eleição dizendo, em público, que a decisão não alterou nada.

Onde os dois lados concordam, e onde não

O detalhe curioso é que, em parte, o TSE e Flávio descrevem o mesmo fato.

Os dois dizem que: - A ordem de Zanin chegou depois das 17h. - Milhares de urnas já estavam encerradas e não podiam ser reabertas. - Não havia regra prevendo esse tipo de prorrogação.

A divergência está no efeito. Flávio afirma que isso criou desigualdade entre eleitores de lugares diferentes. Nunes Marques afirma que o resultado não foi alterado.

Há ainda uma acusação de Flávio que o TSE não comentou publicamente até agora: a de que fiscais do PL foram retirados da sala-cofre.

Quem decide, se o pedido chegar

Não é o presidente sozinho. O próprio Nunes Marques lembrou na coletiva que "cada processo exige exame, contraditório, análise técnica, fundamentação e apreciação colegiada". Na prática, a palavra final sobre um pedido desse tipo seria de um colegiado de ministros, e não de uma entrevista.

O que se sabe e o que ainda não se sabe

O que se sabe: - O presidente do TSE anunciou a reeleição de Lula e disse que a prorrogação não alterou o resultado. - Ele também disse que a decisão tardia criou dificuldades técnicas. - Flávio anunciou depois que vai pedir a anulação.

O que ainda não se sabe: - Quantas pessoas votaram depois das 17h. O TSE não divulgou esse número. - Quando e com quais provas o pedido será apresentado. - Como o plenário do TSE vai tratar o caso.

O que vem agora

O ato que formaliza a vitória é a diplomação, que pelo calendário eleitoral tem de acontecer até 18 de dezembro de 2026. A posse está marcada para 5 de janeiro de 2027. O próximo sinal a acompanhar é o protocolo do pedido do PL e o número de votos dados depois das 17h, se o TSE divulgar.

Para entender os argumentos de Flávio e o que a lei exige para anular uma eleição, leia Flávio diz que não reconhece vitória de Lula e vai pedir anulação.

Fontes

Imagens: Ministro Kassio Nunes Marques em sessão plenária do TSE, em fevereiro de 2025 (arquivo). Foto: Alejandro Zambrana/Secom/TSE (domínio público), via Wikimedia Commons

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