17h03: a decisão que deu 2 horas a mais à eleição e virou o alvo de Flávio
Os dois lados pediram mais tempo na mesma tarde. A decisão que saiu, do STF, virou o centro da contestação de Flávio. Veja a tarde, hora a hora.

O segundo turno terminaria às 17h. Terminou às 19h. Entre uma coisa e outra, houve uma tarde de pedidos, uma decisão do Supremo e uma pergunta que muita gente fez: por que isso aconteceu, e quem decidiu? Aqui vai a sequência, hora a hora, com base nas reportagens do Poder360 e da Exame.
Os pedidos, em ordem
Segundo a linha do tempo do Poder360:
- 13h22: o PT, pela campanha de Lula, pediu ao TSE a extensão da votação, citando falta de ônibus em municípios da Bahia.
- 15h42: a campanha ampliou o pedido para todos os estados.
- 15h50: o PL, pela campanha de Flávio Bolsonaro, pediu ao TSE a prorrogação em 19 cidades de São Paulo, Paraná e Santa Catarina. Citou chuvas, alagamentos, interdições e falta de energia. Pediu também que a divulgação do resultado presidencial só começasse depois do fim da votação nesses lugares.
- 16h22: o PT recorreu ao STF, pedindo a prorrogação em todo o território nacional.
- 16h33: o ministro Cristiano Zanin foi sorteado relator.
- 17h03: saiu a decisão.
Da primeira solicitação à decisão foram cerca de 3 horas e 40 minutos. E a decisão chegou três minutos depois do horário oficial de encerramento, às 17h.
O que Zanin decidiu
O ministro prorrogou a votação até as 19h, em todos os estados. Em nota posterior, explicou que as duas campanhas alegaram problemas no transporte de eleitores. Zanin também esclareceu que a decisão vale apenas para onde as urnas ainda não tinham fechado. Os votos já registrados nas urnas encerradas seriam computados normalmente.
O presidente do TSE, Nunes Marques, orientou que as seções ainda abertas funcionassem até as 19h, em cumprimento à determinação.
Qual era o problema de transporte
A Exame reúne os relatos:
- Em São Paulo, a SPTrans disse ter recebido, às 13h10 de sábado, ordem do TRE-SP para colocar toda a frota municipal em operação no domingo. A empresa afirma que o prazo foi de menos de 12 horas, o que exigiu reorganizar escalas e jornadas.
- Em Salvador, a reportagem registra que ao menos 75 ônibus foram impedidos de sair das garagens, e que a Federação Brasil da Esperança acionou a Justiça Eleitoral. O texto não informa a decisão sobre esse pedido.
- Em cidades paulistas, paranaenses e catarinenses, houve chuvas, alagamentos e vias interditadas. A Polícia Rodoviária Federal informou 27 interdições em rodovias no domingo, e quatro seguiam ativas na hora da coletiva, por causa da chuva, todas com rota alternativa. A PF disse não ter recebido relatos de eleitores impedidos de votar por bloqueios.
Por que isso gerou polêmica
A discussão central é quem tinha competência para decidir. Para o Poder360, a decisão de Zanin "atropelou" o TSE, que é o órgão da Justiça Eleitoral responsável por esse tipo de pedido. Essa é uma avaliação do veículo, e vale tratá-la como leitura, não como fato. O que está documentado é que os pedidos foram feitos nos dois tribunais e que o ministro decidiu a reclamação levada ao STF.
A outra pergunta é sobre a fila. A regra vale para todo eleitor que já estava na fila às 17h: ele recebe senha e pode votar. A campanha de Flávio argumentou, segundo a Exame, que isso não resolve o caso de quem não conseguiu chegar à seção.
E a apuração?
A decisão pesou também sobre os números. O TSE parou de divulgar a apuração quando apenas 0,25% das urnas estavam contabilizadas, e a retomada veio depois das 19h. Para entender como a contagem mudou de lado nessa noite, leia como foi a virada na apuração.
O pedido do PL para adiar a divulgação do resultado nos lugares afetados não aparece decidido nas reportagens consultadas.
Fontes
Imagens: Urna eletrônica brasileira (foto de arquivo). Foto: TSE (domínio público), via Wikimedia Commons