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Eleição em Israel: Israel vota e boca de urna mostra oposição com 52 cadeiras e Netanyahu com 50, sem maioria para ninguém

Na primeira eleição desde os ataques de 7 de outubro de 2023, o comparecimento foi de 77,7%. O Likud, de Netanyahu, aparece como maior partido, mas nenhum bloco chega às 61 cadeiras. O resultado oficial sai até 4 de novembro.

Por Redação Casos do Mundo ·

Eleição em Israel: Israel vota e boca de urna mostra oposição com 52 cadeiras e Netanyahu com 50, sem maioria para ninguém
À esquerda, Benjamin Netanyahu (arquivo, 2023). Foto: Avi Ohayon/GPO (CC BY-SA 3.0). À direita, Gadi Eisenkot (arquivo, 2025). Foto: David Shay (CC BY-SA 4.0). Ambas via Wikimedia Commons

Israel foi às urnas nesta terça-feira (27) para escolher os 120 deputados do Knesset, o Parlamento do país. É a primeira eleição geral desde os ataques liderados pelo Hamas em 7 de outubro de 2023. As seções abriram às 7h e fecharam às 22h no horário local (17h em Brasília).

Assim que a votação acabou, as quatro principais TVs israelenses divulgaram pesquisas de boca de urna. Três delas (Kan 11, Canal 12 e Canal 13) chegaram ao mesmo desenho: o bloco que quer tirar o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu do poder teria 52 cadeiras, o bloco de Netanyahu teria 50 e os partidos árabes, 18. Para governar, são precisos 61. Ninguém chegou lá.

Isso é projeção, não resultado. A contagem oficial é feita pela Comissão Central de Eleições e ainda está em andamento.

O comparecimento foi o maior em mais de 20 anos

Segundo a Comissão Central de Eleições, 77,7% dos eleitores votaram até o fechamento das urnas. São cerca de 5,7 milhões de pessoas, num universo de mais de 7,3 milhões aptos a votar. A alta é de cerca de 7 pontos em relação a 2022.

As fontes divergem sobre a comparação histórica. A rede americana NBC diz que é o maior índice desde 1999. O site israelense Ynet fala no maior desde 2001. Nos dois casos, é o recorde de um quarto de século.

O ritmo já chamava atenção ao meio-dia, quando 31,5% tinham votado. Em 2022, no mesmo horário, eram 28,4%. A comissão avisou que quem estivesse na fila às 22h votaria mesmo depois do horário.

O que mostram as bocas de urna, partido por partido

Aqui está o ponto que confunde. O partido mais votado não é, necessariamente, o que vai governar.

No Canal 12, o Likud, de Netanyahu, aparece com 24 cadeiras. O Yashar, de Gadi Eisenkot, vem logo atrás, com 22. No Canal 13, o placar é 25 a 23. Em todas as projeções, o Likud é o maior partido isolado.

Só que, em Israel, nenhum partido nunca teve maioria sozinho. Quem governa é quem consegue somar aliados até 61. E, somados, os aliados de Eisenkot passam os de Netanyahu, segundo as três TVs.

Na projeção do Canal 13, por exemplo, o restante da lista fica assim:

  • Beyahad, de Naftali Bennett: 13
  • Lista Conjunta (partidos árabes): 11
  • Democratas, de Yair Golan: 9
  • Yisrael Beiteinu, de Avigdor Lieberman: 7
  • Ra'am (partido árabe): 7
  • Judaísmo Unido da Torá (ultraortodoxo): 7
  • Otzma Yehudit, de Itamar Ben-Gvir: 6
  • Shas (ultraortodoxo): 6
  • Sionismo Religioso: 6

E os 18 dos partidos árabes? Eles pesam na conta, mas ficam fora dos dois blocos. Tanto Eisenkot quanto Netanyahu descartaram governar com partidos árabes, segundo a NBC.

Quem é Gadi Eisenkot, o principal rival

Eisenkot tem 66 anos e foi chefe do Estado-Maior das Forças Armadas de Israel entre 2015 e 2019. Depois de 7 de outubro, integrou o gabinete de guerra de Netanyahu e saiu em junho de 2024.

O filho dele, Gal, morreu combatendo em Gaza, segundo a agência AFP. Na campanha, Eisenkot prometeu proteger a independência do Judiciário, os direitos das minorias e a imprensa livre. O partido dele se chama Yashar, palavra em hebraico para "reto" ou "direito".

Netanyahu fez campanha apoiado na proximidade com o presidente americano Donald Trump, cujo apoio apareceu em outdoors pelo país, de acordo com a NBC.

Por que a contagem em Israel demora mais que a do Brasil?

No Brasil, a urna eletrônica permite saber o vencedor em poucas horas. Em Israel, o voto é em cédula de papel, e a contagem é manual, com fiscais dos partidos presentes.

Há ainda os votos em "envelope duplo", usados por soldados e outros eleitores que votam fora da sua seção. Eles são conferidos à parte, no fim, e podem mudar a distribuição das últimas cadeiras.

Outro detalhe pesa muito: a cláusula de barreira de 3,25%. Partido que fica abaixo disso não leva nenhuma cadeira, e os votos dele somem da conta. Na boca de urna do Canal 12, ao menos duas legendas ficaram abaixo da linha. Uma oscilação pequena aí pode virar o jogo de um bloco.

O que se sabe e o que ainda não se sabe

O que se sabe

  • O comparecimento foi de 77,7%, segundo a Comissão Central de Eleições.
  • As bocas de urna dão 52 cadeiras à oposição e 50 ao bloco de Netanyahu.
  • O Likud aparece como maior partido em todas as projeções.

O que ainda não se sabe

  • O número oficial de cadeiras de cada partido.
  • Se algum partido pequeno vai passar ou não da barreira de 3,25%.
  • Quem o presidente vai chamar para tentar formar o governo.

O que vem agora

O prazo legal para o resultado oficial é 4 de novembro. Depois disso, o presidente Isaac Herzog ouve os partidos e indica um deputado para montar a coalizão. Costuma ser o líder do maior partido, mas a lei não obriga.

O escolhido tem até sete semanas para fechar o governo. Se falhar, outro nome pode tentar. Se o impasse continuar, o Knesset pode ser dissolvido e uma nova eleição, convocada. Israel já votou cinco vezes entre 2019 e 2022.

Quer comparar com a apuração daqui? Veja como funcionam a votação e a apuração no Brasil, passo a passo.

Fontes

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Imagens: À esquerda, Benjamin Netanyahu (arquivo, 2023). Foto: Avi Ohayon/GPO (CC BY-SA 3.0). À direita, Gadi Eisenkot (arquivo, 2025). Foto: David Shay (CC BY-SA 4.0). Ambas via Wikimedia Commons

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