O que muda para você: SUS começa em novembro a oferecer teste de fezes que rastreia câncer de intestino em quem tem de 50 a 75 anos
O Ministério da Saúde vai distribuir 400 mil testes aos estados. A oferta começa nas UBS das capitais e das cidades com mais de 500 mil habitantes, para pessoas sem sintomas.

O SUS vai começar a oferecer em novembro um exame de fezes que procura sinais de câncer de intestino antes de a pessoa sentir qualquer coisa. O teste se chama FIT, sigla em inglês para teste imunoquímico fecal, e é para homens e mulheres de 50 a 75 anos sem sintomas.
O Ministério da Saúde anunciou em 20 de outubro que vai distribuir 400 mil testes aos estados. A oferta será gradual, nas Unidades Básicas de Saúde (UBS), começando pelas capitais e pelas cidades com mais de 500 mil habitantes. Quem tiver resultado positivo será encaminhado para colonoscopia.
Como o teste funciona
O FIT procura sangue escondido nas fezes, em quantidade pequena demais para ser vista a olho nu. Segundo o ministério, a pessoa recebe um kit para coletar a amostra em casa, e o material vai para análise em laboratório.
Três detalhes facilitam a vida de quem vai fazer:
- basta uma amostra;
- não precisa de dieta antes;
- não precisa de preparo do intestino, ao contrário da colonoscopia.
O ministério informa que a sensibilidade do teste fica entre 85% e 92%. No anúncio de outubro, falou em "precisão de até 92%". Na prática, isso significa que o exame encontra a maior parte das alterações, mas não todas. Por isso ele é repetido de tempos em tempos.
Quem pode fazer e de quanto em quanto tempo
As regras estão na Portaria nº 4.642 da Secretaria de Atenção Especializada à Saúde, publicada no Diário Oficial da União em 10 de agosto. Ela incluiu o exame na tabela do SUS com três limites:
- idade: de 50 a 75 anos, homens e mulheres;
- sem sintomas: o texto diz que esse teste não é para investigar quem já tem sintomas ou suspeita de câncer;
- a cada dois anos: o rastreamento é bienal.
Esse segundo ponto é o que mais confunde. O FIT do programa serve para achar a doença em quem está se sentindo bem. Quem já tem sinais precisa de consulta, não de esperar o teste de rotina.
E se der positivo?
Resultado positivo não é diagnóstico de câncer. Quer dizer que é preciso investigar. Quem confirma ou descarta é a colonoscopia, exame em que o médico olha o intestino por dentro com uma câmera. Segundo o ministério, durante a colonoscopia também dá para retirar pólipos, pequenas lesões que podem virar câncer com o tempo.
A lógica do FIT é essa: fazer uma triagem simples em muita gente e mandar para a colonoscopia só quem precisa.
O tamanho do problema
O câncer de intestino, também chamado de colorretal, é o segundo tipo mais comum no Brasil, sem contar o câncer de pele não melanoma. O Instituto Nacional de Câncer (INCA) estima 53,8 mil casos novos por ano entre 2026 e 2028.
O ministério calcula que o novo protocolo pode ampliar o acesso de mais de 40 milhões de brasileiros à prevenção.
A conta que chama atenção: o primeiro lote, de 400 mil testes, dá para cerca de 1 em cada 100 pessoas desse público. Por isso a oferta começa pelas cidades grandes. O anúncio não detalhou quantos testes vão para cada estado nem quando o exame chega às cidades menores.
Por que a idade começa em 50, se jovens também têm a doença?
A pergunta voltou com força depois da morte da atriz e cantora Lua Blanco, a Roberta da versão brasileira de "Rebelde". Ela morreu em 18 de outubro, aos 39 anos, de câncer no intestino, segundo a família.
O rastreamento com FIT é um programa para a população sem sintomas, e a faixa de 50 a 75 anos foi a definida pelo protocolo do ministério. Isso não quer dizer que quem tem menos de 50 está livre. Em qualquer idade, sinais persistentes precisam ser avaliados por um médico.
Os sinais que pedem consulta
O INCA lista estes sinais de alerta:
- sangue nas fezes;
- mudança no funcionamento do intestino, como diarreia e prisão de ventre alternadas;
- dor ou desconforto na barriga;
- fraqueza e anemia;
- perda de peso sem motivo aparente.
Esses sinais também aparecem em problemas mais simples, como hemorroidas. Mesmo assim, o INCA orienta que sejam investigados. Se você tem algum deles, procure um médico ou a sua UBS.
O que vem agora
A partir de novembro, quem tem de 50 a 75 anos e mora numa capital ou cidade com mais de 500 mil habitantes pode perguntar na UBS se o teste já chegou. Nas cidades menores, a oferta depende da ampliação gradual, ainda sem data anunciada.
Leia também: Anvisa aprova Emrelis para um tipo de câncer de pulmão avançado.
Fontes
- Ministério da Saúde — Ministério da Saúde inicia oferta no SUS de nove medicamentos oncológicos de alta tecnologia (20/10/2026; inclui os 400 mil testes FIT)
- Agência Brasil — Saúde inicia oferta de novos medicamentos oncológicos no SUS (20/10/2026)
- Agência Gov — SUS adota novo exame para detectar câncer de intestino antes dos sintomas (21/05/2026)
- Secom/Governo do Brasil — Governo anuncia novo exame no SUS para rastreamento do câncer colorretal (21/05/2026)
- Conass — Publicada a Portaria SAES/MS nº 4.642, que inclui o FIT na tabela do SUS
- Band — SUS inclui novo teste para rastrear câncer colorretal (10/08/2026)
- INCA — Câncer de intestino, versão para a população
- O Povo — Câncer que tirou a vida da atriz Lua Blanco aos 39 anos
- IstoÉ — Lua Blanco: como foi a luta da atriz contra o câncer de intestino
Imagens: Teste imunoquímico fecal (FIT), imagem ilustrativa. Foto: Cbalentine (CC BY-SA 4.0), via Wikimedia Commons





