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O que se sabe: Famílias denunciam a morte de 36 bebês em hospital da Mooca, e polícia investiga

O 8º DP (Brás) abriu inquérito sobre seis mortes de bebês no Hospital e Maternidade Salvalus, da rede Hapvida, em São Paulo. A Vigilância Sanitária inspecionou a unidade. O hospital diz que não achou uma causa comum.

Por Redação Casos do Mundo ·

O que se sabe: Famílias denunciam a morte de 36 bebês em hospital da Mooca, e polícia investiga
UTI neonatal de outro hospital, em Irecê (BA), imagem ilustrativa de arquivo (2009). Foto: Manu Dias/Agecom Bahia (CC BY 2.0), via Wikimedia Commons

A Polícia Civil de São Paulo abriu inquérito para apurar a morte de seis bebês no Hospital e Maternidade Salvalus, na Mooca, zona leste da capital. O hospital pertence à rede Hapvida NotreDame Intermédica. Segundo a Secretaria da Segurança Pública (SSP), os casos aconteceram ao longo de 2026 e foram comunicados à polícia na quarta-feira, 21 de outubro.

O número que mais circula, 36, não é da polícia. Ele vem de uma advogada que atende as famílias e diz estar em contato com pelo menos 36 mães que perderam filhos na unidade em cerca de nove meses. Já a Vigilância Sanitária do Estado informou que avalia 35 óbitos de bebês, e foi ao hospital na sexta-feira (23) para uma inspeção.

O que a polícia está fazendo

O caso está com o 8º Distrito Policial, no Brás. A SSP informou que a autoridade policial ouve profissionais de saúde e testemunhas e faz a "análise integral dos prontuários médicos, visando esclarecer as causas das mortes".

Até agora, ninguém foi apontado como suspeito. A polícia também não divulgou a idade das crianças, as datas exatas das mortes nem se trabalha com uma causa em comum.

Os boletins de ocorrência estão espalhados. Há ao menos seis no 8º DP e outros em delegacias diferentes, e algumas famílias ainda não registraram queixa.

De onde vêm os números 6, 35 e 36?

São três contas diferentes, feitas por quem tem papéis diferentes:

  • 6 mortes: os casos que estão no inquérito da Polícia Civil.
  • 35 óbitos: os casos em avaliação pela Vigilância Sanitária e Epidemiológica do Estado, segundo nota divulgada à imprensa.
  • 36 mães: o grupo reunido pela advogada Eduarda Fragnan Gomes. Ela diz que 19 famílias já têm assessoria direta e que novos relatos chegaram depois que o caso ficou conhecido.

Na prática, isso quer dizer que ainda não existe um número oficial de mortes ligadas a falha do hospital. Pode ser menos, pode ser mais. A advogada disse à Revista Oeste que o número "está aumentando exponencialmente".

O que as famílias suspeitam

As famílias falam em infecção pega dentro do hospital. Certidões de óbito obtidas pelo portal Metrópoles citam sepse, choque séptico e pneumonia. A advogada levanta a hipótese de contaminação cruzada, quando uma bactéria passa de um paciente para outro. Nenhuma autoridade confirmou isso.

Há também queixas de demora no atendimento e de erros nos prontuários. Um exemplo dado pela advogada: o registro de uma intercorrência datado de 6 de junho, num paciente que, segundo ela, morreu em 10 de maio.

Ela reconhece que alguns bebês tinham problemas de saúde desde a gestação. Mas afirma que "nenhum deles era incompatível com a vida".

O que diz o hospital

Em nota, o Salvalus disse tratar os relatos com "máxima seriedade". Afirmou que os pacientes tinham quadros clínicos diferentes e graves e que "situações clínicas distintas não podem ser atribuídas a uma mesma causa sem comprovação técnica".

O hospital diz que é referência em maternidade de alto risco e pediatria de alta complexidade, que atendeu mais de mil crianças em 2026 e que suas avaliações não acharam uma origem infecciosa comum entre os casos. Também disse que não tinha recebido notificação formal e que está à disposição das autoridades.

Quem mais está olhando o caso

  • Vigilância Sanitária: na inspeção de sexta, equipes estaduais e municipais avaliaram as unidades neonatal e pediátrica, os protocolos de higiene e de prevenção de infecções e os indicadores de atendimento. A documentação está em análise para decidir se cabem medidas administrativas.
  • Cremesp: abriu sindicância sobre a conduta médica, sob sigilo.
  • Coren-SP: abriu procedimento sobre a equipe de enfermagem, seguindo a Resolução Cofen 706/2022.

O que ainda não se sabe

  • Se as mortes têm uma causa em comum ou se são casos sem relação.
  • Quantos bebês morreram de fato por infecção pega no hospital.
  • Se houve erro de algum profissional e quem seria o responsável.
  • Que medida a Vigilância Sanitária vai tomar, e em quanto tempo.

E se a investigação apontar falha?

Ninguém foi acusado. Mas a lei já prevê o caminho. Quando uma morte é causada por imprudência, negligência ou imperícia, sem intenção, o Código Penal chama de homicídio culposo (artigo 121, parágrafo 3º). A pena é de 1 a 3 anos de detenção e pode subir um terço se o erro vier de descumprir regra técnica da profissão.

Para chegar a isso, a polícia precisa de laudo. É ele que vai dizer se houve infecção hospitalar, de onde ela veio e se dava para evitar.

O que a família pode fazer

Quem perdeu um filho ou teve um bebê internado e desconfia de falha tem direito a cópia do prontuário. O Código de Ética Médica proíbe o médico de negar esse acesso ao paciente ou ao responsável legal.

Com o prontuário e a certidão de óbito em mãos, dá para registrar boletim de ocorrência e fazer denúncia no Cremesp ou no Coren-SP. Para saber se cabe ação na Justiça, procure um advogado ou a Defensoria Pública.

O que vem agora

A polícia segue ouvindo testemunhas e analisando prontuários, e a Vigilância Sanitária ainda vai divulgar o resultado da inspeção. Esta matéria será atualizada quando houver laudo ou decisão oficial.

Veja também como a lei trata a mãe condenada por não proteger o filho de 2 anos, presa no RS.

Fontes

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Imagens: UTI neonatal de outro hospital, em Irecê (BA), imagem ilustrativa de arquivo (2009). Foto: Manu Dias/Agecom Bahia (CC BY 2.0), via Wikimedia Commons

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