O que diz a polícia: Pai é preso em Águas Lindas (GO) suspeito de queimar as filhas de 11 e 12 anos com pegador de narguilé
Segundo a Polícia Civil de Goiás, o castigo veio depois que as meninas quebraram sem querer uma caixa de som. A escola percebeu os ferimentos, o IML confirmou queimaduras de segundo grau e o homem, de 40 anos, está preso preventivamente por tortura-castigo.

Um homem de 40 anos foi preso pela Polícia Civil de Goiás (PCGO) em 20 de outubro, em Águas Lindas de Goiás, no Entorno do Distrito Federal. Ele é suspeito de queimar as duas filhas, de 11 e 12 anos, com um pegador de carvão de narguilé aquecido.
O motivo, segundo a polícia, foi uma caixa de som que as meninas quebraram sem querer. Elas também contaram que foram obrigadas a dormir do lado de fora de casa como castigo. O homem foi autuado por tortura-castigo, e a prisão em flagrante virou preventiva.
Como o caso foi descoberto
Quem percebeu foi a escola. As meninas chegaram às aulas com ferimentos à mostra, e a direção chamou o Conselho Tutelar. Segundo o g1 Goiás, a Polícia Militar também foi acionada.
Do Conselho Tutelar, o caso chegou à Polícia Civil. Os policiais localizaram o pai e apreenderam o objeto apontado como o usado nas agressões.
O que o IML encontrou
O exame no Instituto Médico Legal (IML) registrou várias lesões nas duas meninas, entre elas queimaduras de segundo grau.
A delegada responsável, Nathalia Luz Pessoa, disse ao g1 que as próprias meninas contaram a uma conselheira tutelar, durante o atendimento no IML, como tudo aconteceu.
Só que a versão da mãe não bate em tudo com a das filhas.
O que disse a mãe
Segundo o g1, a mãe confirmou parte dos relatos, mas deu versões diferentes para os ferimentos:
- Filha de 11 anos: para a mãe, a queimadura no rosto foi acidental. Teria acontecido quando o pai se virou segurando o carvão quente.
- Filha de 12 anos: a mãe reconheceu que o homem encostou o objeto quente nas mãos e na perna da menina de propósito, como castigo.
O pai ficou em silêncio no depoimento e disse que só vai falar em juízo. O nome dele não foi divulgado pela polícia, e por isso não foi possível ouvir a defesa. O Casos do Mundo também não divulga o nome, para não identificar as crianças.
O que se sabe e o que ainda não se sabe
O que se sabe - O suspeito tem 40 anos e é pai das duas meninas. - Ele foi preso em 20 de outubro e continua preso, à disposição da Justiça. - As meninas estão com a mãe, segundo a Polícia Civil, e o Conselho Tutelar acompanha o caso.
O que ainda não se sabe - A data exata das agressões. O g1 diz que elas aconteceram na noite de 19 de outubro. O Metrópoles informa que a polícia soube do caso no próprio dia 19. - Se havia registro anterior de violência na família. - Se a mãe vai responder por alguma coisa. Até agora, só o pai foi preso.
O que é tortura-castigo e qual a pena?
O nome assusta, mas está escrito na lei. A Lei 9.455, de 1997, chama de tortura submeter alguém que está sob sua guarda ou autoridade a "intenso sofrimento físico ou mental" como forma de castigo, usando violência ou grave ameaça. É o artigo 1º, inciso II.
Na prática, é o que separa a tortura de uma lesão corporal comum: a relação de poder e a intenção de punir.
- Pena: 2 a 8 anos de reclusão.
- Vítima criança ou adolescente: a pena aumenta de um sexto a um terço.
- Regime: quem é condenado por tortura começa a cumprir a pena em regime fechado.
Por enquanto, o homem é suspeito. Só a Justiça pode dizer se ele é culpado.
"Castigo físico" é proibido mesmo dentro de casa
Desde 2014, o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) diz, no artigo 18-A, que criança tem direito de ser educada sem castigo físico e sem tratamento cruel ou degradante. A regra vale para pais, parentes e qualquer pessoa que cuide dela, "sob qualquer pretexto".
A escola fez o que a lei espera. Quem desconfia de violência contra uma criança pode denunciar, inclusive sem se identificar:
- Disque 100 (Ministério dos Direitos Humanos), 24 horas, gratuito.
- 197: Polícia Civil.
- 190: Polícia Militar, se a violência estiver acontecendo.
- Conselho Tutelar da sua cidade.
O que vem agora
A Polícia Civil termina o inquérito e envia ao Ministério Público de Goiás, que decide se denuncia o pai à Justiça. Enquanto isso, ele segue preso preventivamente.
Leia também: mãe condenada a 24 anos por não proteger o filho de 2 anos das agressões do padrasto é presa no RS.
Fontes
- Metrópoles — Entorno: pai tortura e queima filhas de 11 e 12 anos com pegador de carvão
- Jornal de Brasília — Pai é preso suspeito de queimar filhas de 11 e 12 anos com pegador de carvão em Águas Lindas de Goiás
- Gazeta Carajás, com informações do g1 Goiás — Pai é preso suspeito de queimar filhas após quebra acidental de caixa de som
- Acorda DF — Pai é preso por queimar filhas com pegador de carvão no Entorno do DF
- Planalto — Lei 9.455/1997 (Lei de Tortura)
- Planalto — Lei 13.010/2014, que incluiu o artigo 18-A no ECA
- Ministério dos Direitos Humanos — Disque 100
Imagens: Sede do Conselho Tutelar de Campos Belos (GO), imagem ilustrativa de arquivo (2023), não é deste caso. Foto: Túllio F. (CC BY-SA 4.0), via Wikimedia Commons





